Nilo, cadernos de viagem

Resumo: “O Nilo (do qual Hapi era o seu deus) era o principio e o fim. Nele se banhavam à nascença e por ele — se para isso tivessem recursos — navegavam quando mortos, até Abydos, lugar central do culto a Osiris (o deus da morte), e onde muitos dos primeiros faraós foram sepultados. Hoje, apesar de quebrada a relação espiritual com o rio, os egípcios sabem que a sua existência continua a depender do Nilo. O dia caminhava vertiginosamente para o fim quando subimos ao terraço de um bar nas proximidades do ancoradouro. Agradava-me aquela posição de espectador: sem que dessem por mim; sem que eu pudesse influenciar sequer um sorriso. Fiquei a ver quem passava, os jogadores de gamão nas esplanadas, a multidão que descia do ferry, os crentes ajoelhados no jardim para a oração do pôr-do-sol. A vista estendia-se largamente até à outra margem. Um skyline de minaretes, obeliscos, colunas de templos e cúpulas imponentes de igrejas coptas num aparente desafio.”

ANO

2024

AUTORES

Mateus Brandão

EDITORES

Aletheia