Imaginários urbanos – caderno de resumos

O caderno de resumos do ICHT (Colóquio Internacional Imaginários: construir e habitar a terra) 2023,  está disponível aqui. Esta edição é dedicada à temática dos Imaginários Urbanos. Destacamos, no caderno, um dos textos de apresentação, da autoria de  Fabio La Rocca:

“A discussão sobre a cidade, o caráter urbano, está no centro dos processos de mudança tanto na sociedade quanto no pensamento. O olhar sociológico tem de se mover ao longo das linhas do tempo e imergir nos estratos urbanos a fim de trazer à tona características relevantes para o que está sendo observado. É um olhar “situacional”, em que o ato de ver deve ser incorporado em uma reflexão do conhecimento que coloca o pensamento sensível no centro, como uma forma de perceber os sentidos e construir um significado sobre as coisas observadas. Se o nosso mundo é um ensaio dos sentidos, então a cidade é a melhor expressão desse conceito, porque é composta de sentidos e nós o experimentamos por meio das formas e figuras que nos afetam. A narrativa urbana é construída a partir de formas emocionais que formam uma unidade simbólica na qual, por exemplo, a arte, a música e a ação coletiva destacam o valor sensível de nossa relação com a cidade e seus espaços. Uma cidade que não pode mais ser pensada em termos de função e racionalidade, mas sim em termos das incorporações sensíveis que caracterizam nossa identificação coletiva, com base nas qualidades emotivas encontradas na variedade de ambiências urbanas. Um todo que funda uma espécie de caleidoscópio de sensações, emoções e impressões que podemos visualizar como uma forma de identificação da experiência urbana amplificada pelas capacidades tonais do espaço. O imaginário emocional é articulado por meio de uma diversificação de modalidades expressivas, de situações de qualidades tonais em que a cidade se expressa por meio dos sentidos e dá significado às coisas vivenciadas. Do nosso ponto de vista, o imaginário representa uma ressonância com o espaço envolvente e seu caráter afetivo e emocional, onde afetivo deve ser entendido no duplo sentido de um espaço que me afeta e uma afeição ressentida em uma situação espacial que engendra a formação de um espaço sensível com caraterística de zonas emocionais e afetivas criadas nos espaços entre nossas cidades, ou “zonas atmosféricas”, indicando que nossa relação com a cidade é mediada pelos sentidos e, portanto, por uma emoção.”

 

 

ANO

2023

AUTORES

Artur Simões Rozestraten (Org.)

EDITORES

Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo