“Habitar Buenos Aires : el derecho de ciudad ante la actual forma política urbana (2021)” [Habitando Buenos Aires: o direito à cidade diante da atual forma política urbana] por Betina Andrea Guindi | Tese de Doutorado

Resumo: “Esta pesquisa aborda a categoria de cidadania, questionando sua validade nas condições atuais da democracia. Dada a centralidade das questões urbanas no cenário contemporâneo, ela explora a dimensão política da relação entre o espaço urbano e as pessoas que o habitam. Da mesma forma, e com o objetivo de evitar concepções a-históricas ou universalistas, investiga sua manifestação particular na cidade de Buenos Aires, um espaço fértil para a implantação neoliberal que ocorreu nas últimas décadas.

O itinerário é baseado na conjunção dos andaimes teóricos de Jacques Rancière e Étienne Balibar. Com a suposição de Rancière do espaço urbano como uma configuração estética que articula modos de fazer, formas de visibilidade e modos de pensar, a política é entendida como a atividade eminentemente conflituosa de reconfigurar estruturas sensíveis. A conceituação de Balibar sobre a cidadania possibilita a restituição de seu poder constituinte ao dar poder a um comportamento fortemente político baseado em uma proposta que entrelaça os princípios de igualdade e liberdade, uma reivindicação de insurgência e um compromisso com a transindividualidade. Embora reconhecendo a distância entre suas abordagens, essa conjunção é uma contribuição insubstituível para pensar a relação entre o espaço urbano e o direito à cidade.

Essas coordenadas teóricas se somam às seguintes questões sobre o exercício da cidadania em Buenos Aires: Como se desenvolveram historicamente os vínculos entre a configuração do espaço urbano portenho e a cidadania? Que tramas se tecem entre as novas configurações apresentadas pelo espaço portenho, a constituição de subjetividades e as modalidades de cidadania? E que correlações, diálogos ou tensões podem ser estabelecidos com as intervenções vindas das instituições estatais, do mercado e da mídia? Partindo do pressuposto de que a cidade é frequentemente apresentada como um espaço de coexistência (tensa) de múltiplas temporalidades, este trabalho questiona como os modos de habitar a cidade – e as disputas que se estabelecem em torno deles – constituem um problema estético-político que envolve a discussão sobre o funcionamento de formas de intervenção e exclusão cidadã. Esta questão, por sua vez, levanta a questão das possibilidades de surgimento de novas formas de ação política no quadro das atuais condições do capitalismo. Partindo do princípio de que a revitalização da categoria cidadania só é possível sob a condição de desvinculá-la da tradição liberal-capitalista – que a limita a uma concepção jurídico-moral – e de restituir-lhe o poder constituinte, a hipótese central sustenta que essa mudança conceitual exige considerar a cidadania também em sua dimensão sensível, dado que os modos como os cidadãos habitam uma cidade remetem a uma configuração que articula modos de ver, sentir e pensar. As formas estéticas apresentadas pelo espaço urbano estão vinculadas aos processos de subjetivação política e às possibilidades e dificuldades de construção do ser-em-comum. Nesse sentido, a condição politizável da forma urbana remete, em grande parte, à possibilidade de intervenção insurrecional de cidadãos que disputam a legitimidade do uso do espaço.

Quanto à abordagem, a pesquisa estrutura-se por meio de uma operação de montagem em duas partes: a primeira parte centra-se no plano diacrônico — que envolve os aspectos histórico-conceituais e histórico-sociais — enquanto a segunda trata de uma perspectiva sincrônica, voltada à problematização das experiências do nosso tempo. Esta segunda parte aborda algumas experiências produzidas nos últimos anos na Cidade de Buenos Aires relacionadas aos processos de neoliberalização e disputas pela cidade, consideradas à luz dos desenvolvimentos teóricos e conceituais apresentados anteriormente. Os estudos de caso são abordados utilizando diferentes repertórios metodológicos: por um lado, incorporando o foco das produções em questões urbanas atuais e, por outro, utilizando materiais midiáticos de diversas naturezas — jornalísticos, publicitários etc. — pertinentes aos discursos e práticas da gestão governamental e da sociedade civil.”

 

Esta tese de doutorado, da autoria de Betina Andrea Guindi e orientada por María Gabriela D’Odorico & Felisa Santos, foi defendida em 2021 no âmbito do Doutorado em Ciências Sociais da Universidade de Buenos Aires. Encontra-se disponível, em espanhol e em acesso livre, no Repositório da UBA

ANO

2021

AUTORES

Betina Andrea Guindi

EDITORES

María Gabriela D'Odorico & Felisa Santos