Entre a cultura popular e a arte urbana: a cidade de São Caetano de Odivelas-Pará nos murais contemporâneos de And Santtos e Adriano DK

As cidades e seus sujeitos são historicamente construídos, suas memórias são fraturadas e, a depender das condições de possibilidades, visibilizam e silenciam discursos. Nesse sentido, tomamos a cidade não como um espaço neutro, esvaziado de memória, ou ainda um cálculo urbanístico, mas sim como espaço interativo e comunicativo. A partir desta perspectiva, analisamos os murais contemporâneos com a imensidão de cores, pincéis, tintas, spray de graffiti e Boi de Máscaras, desenvolvidos pelos artistas Adriano DK e And Santtos, com a noção de “odivelismo” proposta por ele, um estudo voltado aos valores sociais e culturais da cidade de São Caetano de Odivelas, no estado do Pará. Nosso objetivo é compreender como suas obras traduzem o espaço urbano, interagem com os moradores da cidade e deixam ver a diversidade étnica de seus moradores. Para tanto, o trabalho de campo com base em tonalidades etnográficas, envolve entrevistas semiestruturadas com atores sociais da cidade, mas se pauta, sobretudo, nas experiências vividas na cidade em companhia do artista. Nosso referencial teórico-metodológico se fundamenta na formulação de cidade comunicativa e polifônica, proposta por Lucrécia Ferrara e Canevacci, nos estudos de Foucault sobre saberes sujeitados e na definição de mural contemporâneo de Gitahy e sobre a abordagem antropológica do graffiti por Campos. Esta investigação identificou uma forma de etnomural, constituída como uma expressão pautada no cotidiano do odivelense, na poesia singular, no sentimento do morador às margens do rio Mojuim revelada em ritmos, sons e cultura popular, o olhar do mangue e da pesca, do brincar no cortejo Boi de Máscaras materializada nos muros da urbe. Consulte a dissertação aqui.

ANO

2020

AUTORES

Priscila Brito Cosme

EDITORES

Universidade Federal do Pará