Cidade descrita (desenhada e escrita): o discreto caso de Bruxelas

Resumo: Da cidade dos arranha-céus à cidade subterrânea, da cidade obscurecida pela poluição à cidade-Éden, a banda desenhada, como qualquer outra arte, recusa o estabelecimento do conceito (mais) tradicional de “cidade”. Antiga, moderna ou contemporânea, com bairros subterrâneos, longe da superfície poluída, ou edifícios vertiginosos com fachadas de vidro oriundos de utopias urbanas, a cidade aparece como uma entidade polimórfica, sempre em transformação, onde os autores procuram colocála no seu trabalho, fixando-a no papel. Um assunto inconstante, a cidade deve ser entendida como uma forma plural, cujas representações urbanas abrangem realidades muito diferentes: o aspecto gráfico, embora dominante, não é a única forma de representação da cidade. Reflecte-se, nas obras desenhadas, através de outras formas, desde o discurso dos protagonistas até ao seu papel no argumento e narrativa da obra. Como uma decoração que serve de suporte aos heróis, por vezes, a cidade pode elevar-se à dimensão de personagem. Esta dissertação pretende mostrar como formas diferentes podem cruzar a realidade urbana. As cidades desenhadas são frequentemente modelos ideais de cidades, cuja questão não está na ordem do mimetismo, mas sim criar uma referência significativa para o leitor. Assim, uma representação de uma cidade em banda desenhada coloca em jogo diferentes fontes, como a estrutura urbana e morfologia, arquitectura, geografia, mais ou menos sugestivas, que informam o leitor, indicando o universo em que ele se encontra. Neste caso, pretende-se estudar a banda desenhada que potencia a visão de cidade usando a ideia de cronologia e história (desde a antiguidade à fantasia) e, ao mesmo tempo, percebendo como conceitos de discurso e percurso (desde a escala de território à escala do elemento marcante) possibilitam esta aprendizagem. Embora não tão profusamente retratada como Paris ou outras capitais mundias, Bruxelas é das cidades mais referidas e representadas na banda desenhada europeia. Assim, torna-se o objecto de estudo para esta dissertação, enquanto cidade apta a este tipo de representação. Pretende-se mostrar exemplos de como Bruxelas funciona, por vezes, como cidade-lugar, mas também quando assume uma função de personagem na intriga. Através da ideia de percurso ao longo da cidade, procura-se ver a banda desenhada potenciar a cidade.

Aceda aqui: https://hdl.handle.net/1822/69023

ANO

2020

AUTORES

Ana Luísa Santos Coelho Duarte Soares