Era o amor que chegava e partia: Sobre uma e outra Lisboa, em 1963 e em 2023

A longa-metragem “Onde Fica esta Rua? ou Sem Antes nem Depois” (realizada por João Pedro Rodrigues e João Rui Guerra da Mata, estreada em 2023) é um filme insólito; insólito pela qualidade de estranheza e beleza e pelo sentido de resistência e urgência que detém. Nele, estranheza e beleza resultam concomitantes ao lado de uma força e de uma necessidade com as quais se revelam dialogantes.

“Onde Fica esta Rua? ou Sem Antes nem Depois” segue aturadamente os planos e os espaços de “Os Verdes Anos” (a primeira longa-metragem realizada por Paulo Rocha, estreada em 1963), evidenciando uma distância e uma proximidade invulgares para seis décadas. Perante tal, algumas perguntas se poderão colocar sobre a raison dêtre do filme de Rodrigues e Guerra da Mata: em primeiro lugar, porquê repetir uma longa-metragem tão especial? Ou, reformulando: porquê refazer “Os Verdes Anos”, hoje, montando um filme necessariamente diferente mas rodando-o com o mesmo material, isto é, com os mesmos décors? Haverá, de facto, algum proveito nesse modo quase tautológico de rever mas quase inédito de ver? Não sendo pouco comum, no cinema, o acto de refazer objectos fílmicos, é ainda menos comum estender esse procedimento de revisitação sob o rigor implacável experimentado por Rodrigues e Guerra da Mata. Em contraciclo, se os planos têm correspondência exacta aos do filme de Rocha, já o som e a imagem neles contidos (os fundos e as personagens) são sempre outros, são versões. Passaram sessenta anos, entretanto, e a conclusão após o visionamento de “Onde Fica esta Rua? ou Sem Antes nem Depois” é de que a cidade é e não é a mesma assim como o cinema é e não é o mesmo. Nem o poderiam ser. Ao invés, a actriz e a personagem mantêm-se, Isabel Ruth permanece, Ilda prolonga-se. Só por isso justifica-se o filme e a sua recepção.

Na origem do filme de Rodrigues e Guerra da Mata está “Os Verdes Anos”, certo, mas também uma ideia de filiação e de herança que aponta para um período do cinema português em tangência com um momento específico da arquitectura portuguesa. Em ambos os casos, abria-se uma era nova no cinema e moderna na cidade. A década de 1950 terminara, esgotada, e alguns modos de (não) pensar o cinema a par de outros de (não) construir a cidade prestavam-se a uma mudança radical. Lisboa, de facto, parecia outra, tornara-se outra. De exausta passara a inquieta, de entediante passara a inconformada.[1] O território e as pessoas que a habitavam asseguravam surpresas, tendências e ambicionavam cortar com o instituído. Talvez por isso, vários filmes tenham começado a revelá-la, recorrendo aos espaços modernos que despontavam.[2] Ora, é aqui que entra a indiscrição de Rodrigues e Guerra da Mata demonstrada no cartão que estabelece o filme:

“Da janela da nossa sala vê-se um décor de ‘Os Verdes Anos’, filme inaugural do Cinema Novo Português, realizado por Paulo Rocha em 1963.”

Contudo, se o que vem grafado partilha que os realizadores de “Onde Fica esta Rua? ou Sem Antes nem Depois” conhecem bem a zona e os edifícios vizinhos, não transparece que Rocha também lá vivesse. Mas não precisa, já que os décors de “Os Verdes Anos” vêm dissecados nos exteriores e interiores de todas as cenas. Fica resolvido, então, um dos mistérios do filme sobre estranheza e beleza. As relações do amor, que chega e parte, da amizade e da perplexidade, que se conservam, provêm das casas que os seus autores habitam e das ruas que percorrem. Em síntese, Rodrigues e Guerra da Mata (tal como Rocha, afinal) apenas usaram como décor o mundo que lhes era mais familiar.

Da estranheza e da beleza

Para Rodrigues e Guerra da Mata, avançar para “Onde Fica Esta Rua? ou Sem Antes Nem Depois” terá correspondido, portanto, a um impulso de investigação sobre uma obra que bem conhecem através de lugares que conhecerão ainda melhor. Terá derivado do desassossego de uma experiência sobre o tempo longo, sobre cinema e arquitectura em geral e sobre um filme e uma zona em particular. No cartão, novamente, Guerra da Mata termina com a pergunta que começa o filme:

“Será que os teus avós estavam a assistir da janela quando Isabel Ruth e Rui Gomes, a Ilda e o Júlio de ‘Os Verdes Anos’, dão pela primeira vez a mão?

A estranheza e a beleza de “Onde Fica Esta Rua? ou Sem Antes Nem Depois” advêm, pois, da dúvida, do que falta reconhecer e do que está por descobrir. Advêm do que resta.

Neste filme de 2022 (só estreado comercialmente no final de 2023), além de se olhar para 1963 sob rigor arqueológico e pouco ou nada nostálgico, subsiste uma incongruência sedutora. Com a cumplicidade do realizador Fernando Matos Silva[3] e o apoio científico da historiadora Rita Gomes Ferrão, terá sido possível mapear quase todos os décors e localizações de câmara de “Os Verdes Anos”. Já os movimentos, os eixos, as velocidades e as lentes de câmara provêm do rigor obstinado dos realizadores. Em resultado, os planos terão sido pensados, planeados e executados iguais a cada um dos planos de “Os Verdes Anos”, como se de uma autêntica reposição de câmara se tratasse.

À excepção dos grandes planos com as folhas do argumento anotadas por Matos Silva contam-se, apenas, três segmentos que não seguem esta estratégia de reprise ou, pelo menos, não seguem a sequência original de “Os Verdes Anos”. O primeiro decorre simplesmente do recurso a uma sequência de planos retirada de “Os Verdes Anos”. Curta, no preto e branco original, a transposição justifica-se por se tratar do único décor que Rodrigues, Guerra da Mata e a sua equipa não terão identificado.[4] Mantém-se, por isso, no filme como o rasto causado por uma espécie de dúvida latente. É a ponta solta, a peça enigmática que sobra. Nessa sequência, vê-se Afonso (interpretado por Paulo Renato) colocando azulejos na parede de um espaço interior enquanto se ouve em off uma sua reflexão algo condescendente sobre o casal de namorados Ilda/Júlio (interpretado por Isabel Ruth e Rui Gomes, respectivamente). O segundo segmento vem dado pela deslocação do que se mostra numa televisão para as imagens de animais selvagens no Jardim Zoológico de Lisboa. Bem humorados, inesperados, os planos de girafas gigantes filmados por Rodrigues e Guerra da Mata saem do ecrã para o exterior, contrastando com o actual interior de um escritório abandonado sobre o cruzamento da Avenida dos Estados Unidos da América com a Avenidade de Roma. Parece até, com esta mudança, que a centralidade lisboeta de outrora se foi. Os «prédios maiores, lá do nosso bairro», que Ilda refere no terraço do Elevador de Santa Justa, e que são os do cruzamento, pois, já não são afinal tão novos, tão grandes, nem tão importantes. O terceiro e último segmento, o mais relevante, vem dividido em dois momentos provocados pela presença fulgurante de Ruth/Ilda, numa homenagem à actriz mas também à personagem do filme de Rocha. Um acontece de dia, sensivelmente a um terço de duração do filme, e o outro de noite, antecedendo o fim do filme. Em ambos, Ruth/Ilda surge deambulando de dia e dançando de noite. No primeiro, onde terá dado a mão a Júlio, pela primeira vez, repete o andar e os espaços cantando e conferindo novos sentidos ao lugar. No segundo, após acordar no presente, sem Júlio, inspira uma marcha fantasmagórica decisiva para quem conhece “Os Verdes Anos”.

“Onde Fica Esta Rua? ou Sem Antes Nem Depois” é, então, um filme estranho e belo, com e sem narrativa, sobre espaços exteriores e interiores, públicos e privados, habitados por gente e por fantasmas.[5]

Da resistência e da urgência

Para o espectador, “Onde Fica Esta Rua? ou Sem Antes Nem Depois” apresenta códigos por decifrar. Corresponderá sempre a um objeto fílmico híbrido[6] com nova visão, actualização talvez, sobre “Os Verdes Anos”, um dos filmes-chave do Novo Cinema Português. Trata-se portanto de um filme com apelos à coragem e à premência. “Inclassificável”, tal como vem definido por Francesco Grieco no texto de apresentação do filme para o Locarno Film Festival de 2022, na secção Fuori Concorso:

“é um filme onde a experimentação reina ao interrogar o mundo por domesticar através de imagens cinematográficas.”[7]

Laurie Anderson, ainda, no mesmo festival Suiço, viu-o e comentou-o. Disse evidenciar-se como exercício cinematográfico que “quebra todas as regras que pensava existirem.”[8]

O seu género é variado, logo, matizado. Tem preceitos de musical, de época, de documentário, de comédia, e até de ficção científica.[9] Tanto explora laivos de comicidade, lembrando os gestos de Hulot (interpretado por Jacques Tati nos seus próprios filmes), quanto se apresenta como sub-género pós-apocalíptico, estimulado pelos avisos de distância e de propaganda causados pelo vírus SARS-CoV-2.[10]

O seu formato pode também ser plural, neste caso, duplo. “Onde Fica esta Rua? ou Sem Antes Nem Depois” tanto pode ser projectado em sala de cinema, o lugar de excelência para o ver com parcimónia, quanto pode sê-lo em galeria e em sincronia com “Os Verdes Anos”. Fica a sugestão aos realizadores e programadores.

O seu tempo é prensado. Se a narrativa de “Os Verdes Anos” decorre, aparentemente, ao longo de três semanas, a narrativa de “Onde Fica esta Rua? ou Sem Antes Nem Depois” decorre, crê-se, ao longo de dois dias e duas noites. Se o tempo narrativo do filme de 1963 se expande, o de 2023 contrai-se. Tal como se vinca no tal cartão que abre o filme:

“Vivemos no Bairro de Alvalade em Lisboa, num edifício moderno construído pelo avô do João Pedro em 1960.”

O seu mapa é idêntico, como se a répérage obedecesse a um método de repetição. Contudo, nuances emergem. É tudo um pouco como a vida em comum de Rodrigues e Guerra da Mata que, com décadas neste bairro, lhes permite reconhecer os espaços com acuidade e imaginá-los com intimidade. Além da longa-metragem em causa, João Pedro Rodrigues filmou vários filmes entre o Bairro de Alvalade e a Cidade Universitária.[11] E a sequência final de “Onde Fica esta Rua? ou Sem Antes Nem Depois” acaba a demonstrá-lo. No meio do cruzamento da Avenida dos EUA com a Avenida de Roma, para onde Júlio foge sem escape, surge agora Ruth. Ele vem substituído por ela. A câmara sobe para ângulo picado, tal como em “Os Verdes Anos”, deixando desta vez a actriz/personagem a cantar e a dançar uma marcha. Ao invés do final dramático do filme de Rocha, prisional e sincopado, o final festivo do filme de Rodrigues e Guerra da Mata é livre e contínuo. A prová-lo, segue-se o plano derradeiro, com a câmara subindo demiúrgica e lentamente em sequência, tal como sugere Rocha, em entrevista. Isto, sabia-o o autor de “Os Verdes Anos” e sabem-no os autores de “Onde Fica Esta Rua? Ou Sem Antes Nem Depois”. Para todos eles,

“(…) o mundo das paixões – ou seja, do ciúme, da vingança, da dúvida – não se pode filmar com a câmara à mesma altura. O desejo das pessoas voa (…).”[12]

Antes de terminar, importa recuperar o título do filme de Rodrigues e Guerra da Mata, o qual procede de duas frases ouvidas em “Os Verdes Anos”. A primeira, uma pergunta, vem colocada por Júlio após a sua chegada a Lisboa, à saída da Estação do Rossio. Já no exterior, ao pedir ajuda a um velho (interpretado por Alberto Ghira), o sobrinho de Afonso pergunta “onde fica esta rua?” que tem apontada. Por desconhecer a toponímia e, intui-se imediatamente, a própria cidade, Júlio procura saber o lugar que lhe coube em sorte, no êxodo que acabara de praticar, vindo do campo para a cidade. A segunda frase, “sem antes nem depois”, vem cantada por Tereza Paula, no tema homónimo do filme (cuja letra pertence a Pedro Tamen), memória permanente para os que tenham visto o filme de Rocha.

“Era o amor

que chegava e partia:

estarmos os dois

era um calor

que arrefecia

sem antes nem depois…

Era um segredo

sem ninguém para ouvir:

eram enganos

e era um medo,

a morte a rir

nos nossos verdes anos…” [13]

Recitada durante a dança de Ilda e Júlio, no salão nobre do Palácio Almada-Carvalhais (à Rua das Gaivotas, onde se encontrava instalada a sede do Casa Pia Atlético Clube), a canção em tons de jazz serviu uma coreografia amorosa, numa espécie de flânerie executada a dois. Serviu, ainda, para reconhecer a urgente determinação poética de “Os Verdes Anos”. Ora, em “Onde Fica Esta Rua? Ou Sem Antes Nem Depois”, as cordas substituíram o piano e a percussão, emergindo assim o vazio que ficou ou o frio que se instalou. E mesmo que em 2023 o décor de 1963 se encontre abandonado e delapidado, em conjunto, os dois planos resultam nos mais belos e urgentes travellings do cinema português, ambos em rima com as janelas e uma rua que permanece lá fora.

 

João Rosmaninho, fevereiro, 2024

fotograma de “Onde Fica Esta Rua?

ou Sem Antes Nem Depois” (JPR+JRGM), 00:08:21.

© Terratreme Filmes, House on Fire,

Filmes Fantasma, 2022.

fotograma de “Onde Fica Esta Rua?

ou Sem Antes Nem Depois” (PR), 00:07:53.

© Cinemateca Portuguesa – Museu do Cinema,

1963 / Midas Filmes, 2015.

fotograma de “Onde Fica Esta Rua?

ou Sem Antes Nem Depois” (JPR+JRGM), 00:19:49.

© Terratreme Filmes, House on Fire,

Filmes Fantasma, 2022.

fotograma de “Onde Fica Esta Rua?

ou Sem Antes Nem Depois” (PR), 00:19:03.

© Cinemateca Portuguesa – Museu do Cinema,

1963 / Midas Filmes, 2015.

 

fotograma de “Onde Fica Esta Rua?

ou Sem Antes Nem Depois” (JPR+JRGM), 00:08:21.

© Terratreme Filmes, House on Fire,

Filmes Fantasma, 2022.

fotograma de “Onde Fica Esta Rua?

ou Sem Antes Nem Depois” (PR), 00:07:53.

© Cinemateca Portuguesa – Museu do Cinema,

1963 / Midas Filmes, 2015.

fotograma de “Onde Fica Esta Rua?

ou Sem Antes Nem Depois” (JPR+JRGM), 00:08:21.

© Terratreme Filmes, House on Fire,

Filmes Fantasma, 2022.

fotograma de “Onde Fica Esta Rua?

ou Sem Antes Nem Depois” (PR), 00:07:53.

© Cinemateca Portuguesa – Museu do Cinema,

1963 / Midas Filmes, 2015.

 

fotograma de “Onde Fica Esta Rua?

ou Sem Antes Nem Depois” (JPR+JRGM), 00:08:21.

© Terratreme Filmes, House on Fire,

Filmes Fantasma, 2022.

fotograma de “Onde Fica Esta Rua?

ou Sem Antes Nem Depois” (PR), 00:07:53.

© Cinemateca Portuguesa – Museu do Cinema,

1963 / Midas Filmes, 2015.

 

NOTAS

[1] Não deixa de ser curioso que, na longa-metragem “Pássaros de Asas Cortadas” (realizada por Artur Ramos, estreada em 1963), contemporânea de “Os Verdes Anos”, se assista a uma das personagens, Elsa (interpretada por Lúcia Amram), lendo “L’Ennui”, a tradução Francesa de “La Noia” (livro escrito por Alberto Moravia, publicado originalmente em 1960). Com efeito, “O Tédio”, o título do livro em Português, seria o que muitas das gentes da cidade e das personagens do filme propunham contestar.

[2] Durante as décadas de 1940 e 1950, Lisboa cresce significativa e urbanisticamente nas zonas do Campo Grande, Alvalade e Areeiro com a abertura de avenidas e ruas a par da construção de bairros e edifícios. É nesta sequência que vêm pela primeira vez representados no cinema os exteriores dos Edifícios no cruzamento da Avenida dos Estados Unidos da América com a Avenida de Roma (projectados por Filipe Figueiredo e José Segurado, concluídos em 1953), em “Sangue Toureiro” (realizado por Augusto Fraga, estreado em 1958) e em “Encontro com a Vida” (realizado por Arthur Duarte, estreado em 1960). Já o Bairro das Estacas (projectado por Ruy Jervis d’Athoughia e Sebastião Formosinho Sanchez, concluído em 1955) e o Bairro da Avenida Alferes Malheiro (projectado por Guilherme Faria da Costa, concluído em 1945) vêm ambos, também, ineditamente representados em “Dom Roberto” (realizado por Ernesto de Sousa, estreado em 1962).

[3] Assistente de realização de “Os Verdes Anos” e cuja planificação vem exposta em “Onde Fica Esta Rua? ou Sem Antes Nem Depois” em grandes planos do documento com as anotações manuscritas pelo próprio.

[4] É possível que tal espaço interior – hoje desaparecido, pelo menos, com as mesmas características – corresponda a um de dois que, nos agradecimentos dos créditos finais de “Os Verdes Anos”, vem mencionado como “Cervejaria Berlengas” ou “Pastelaria Suprema”.

[5] Eventualmente, até corpos decepados povoam o filme. Trata-se, contudo, de assunto para outra análise.

[6] Rodrigues e Guerra da Mata suspeitam tratar-se de algo entre o original, o remake, e o making-of.

[7] Disponível online https://www.locarnofestival.ch/news/2022/08/07_08/Onde-Fica-Esta-Rua.html. Acedido em 7 de Janeiro de 2024.

[8] Em conversa moderada com Khesrau Behroz em “The Future of Attention” (programa com 24 horas de duração, entre 11 e 12 de Agosto de 2022). Disponível online https://www.locarnofestival.ch/locarno75/locarno-extra/A-24h-long-talk-on-the-Future-of-Attention.html, acedido em 4 de Fevereiro de 2024.

[9] A dado momento, na apresentação do filme no Cinema Trindade, no Porto (a 3 de dezembro de 2023), e sobre uma hipotética (e porventura inútil) categorização do filme, os realizadores confessavam ter sentido dúvidas durante o longo processo de concepção, produção, rodagem e pós-produção.

[10] A rodagem começou em Outubro de 2019 e terminou em Julho de 2021, e acompanhou grande parte do período pandémico, em particular, a dos confinamentos.

[11] Por exemplo, a Avenida do Rio de Janeiro, perpendicular à dos Estados Unidos da América, vem apresentada em travelling quando percorrida por Sérgio (interpretado por Ricardo Meneses) nas suas deambulações laborais nocturnas, em “O Fantasma” (2000). O Hospital de Santa Maria, perto da Reitoria da cidade universitária, vem apontado do interior de um automóvel conduzido por Alberto (interpretado por Carloto Cotta), em “Odete” (2005).

[12] Kathleen Gomes. “No Céu de Lisboa” in Público – Y. 12 de Janeiro de 2001. pp.4-6.

[13] Porventura por falta de criatividade, a primeira frase do título deste pequeno texto é retirada dos primeiros dois versos do poema “Os Verdes Anos”. Se o título da longa-metragem que ora se discutiu foi encontrado no filme em que se baseia, poderá também o título desta recensão lá encontrar-se.

LOCALIZAÇÃO

LOCAL: Lisboa

LATITUDE: 38.7222524

LONGITUDE: -9.1393366