Um centro cultural para conversar com os vizinhos no coração de Lisboa

Quando o encenador Marcos Barbosa nos abre as portas das Carpintarias de São Lázaro, a dois passos do Martim Moniz, em Lisboa, temos dificuldade em acreditar que, dali a poucos dias, estarão prontas para a sua inauguração – marcada para a noite desta sexta-feira. As obras estavam concluídas. Mas a antiga fábrica de móveis reconvertida em centro cultural continuava a parecer uma fábrica. E assim continuará.

“Este não é um centro cultural canónico”, explica Barbosa, enquanto faz as honras da casa nesta visita guiada. É uma das cinco pessoas que dirigem o espaço – juntamente com os galeristas e curadores Alda Galsterer e Fernando Belo, o músico e produtor Manuel Fúria e o empresário Jaime Dominguez. A intervenção feita no espaço foi minimalista. As vigas e as paredes marcadamente industriais vão continuar à vista. Pelas janelas, continuará a entrar luz. Apenas sobressaem dois elementos novos: uma escada metálica em caracol, que faz a ligação entre o edifício e a cobertura, e um mezanino que aproveita o imenso pé direito do edifício.

O piso térreo será o coração das Carpintarias de São Lázaro, com espaço expositivo e um auditório (para cerca de 120 pessoas) que só a estrutura técnica metálica denuncia. O auditório poderá assumir uma configuração de black box quando rodeado por panejamentos negros. Por baixo deste piso fica o território de trabalho, com uma sala de ensaios e espaço onde poderão ser criados vários pequenos gabinetes para as companhias de teatro e dança que se pretende que ocupem as Carpintarias ou ateliers para artistas visuais. | Texto integral