Um assassino da Revolução Francesa poderá ser crucial na reconstrução da Catedral de Notre-Dame

“Arno Victor Dorian conhece a Catedral de Notre-Dame como a palma da sua mão. Nascido em 1768, este homem francês ficou conhecido em 2014 quando começou a explorar o edifício parisiense. Viu tudo. Saltou sobre todas as pedras, escalou uma a uma todas as gárgulas góticas, passou inúmeras vezes pelo Portal de Santa Ana e pelo Portão da Virgem. Subiu religiosamente os sessenta e nove metros até ao pináculo da catedral para cumprimentar o apóstolo Tomás. E milhões de pessoas acompanharam-no à distância. Começaram a fazê-lo em 2014 e continuam a fazê-lo hoje. Além disso, Dorian foi um assassino durante a Revolução Francesa: a sua experiência da capital francesa é única. E é essa experiência que pode vir a ser preciosa no futuro, em 2019 e nos próximos anos, quando o processo de reconstrução da Catedral de Notre-Dame se iniciar.

Sim, Arno Victor Dorian é uma personagem de ficção. Concretamente, uma personagem de um videojogo — Assassin’s Creed Unity — passado no século XVIII e lançado no século XXI. Mas neste momento, isso interessa pouco. Depois do incêndio que destruiu grande parte da Catedral de Notre Dame na passada segunda-feira, a linha que separa a realidade da ficção tornou-se mais flexível, a fronteira entre o passado do presente abriu-se. São palavras de Emmanuel Macron, presidente francês: “Juntos vamos reconstruir a Catedral.” Para cumprir esse objetivo, a França precisará da ajuda de tudo e todos, pessoas imaginárias incluídas. E Dorian e o seu jogo, apesar de ficção, poderão vir a ter uma importância bem real no processo, um papel central na reconstrução de um dos maiores símbolos franceses”. | Texto completo