Ouvir a cidade: três percursos numa cidade que não se cala

Na série “Ouvir a cidade”, o jornal Público discute os sons – e os ruídos – de Lisboa.

“A poluição sonora está em todo o lado mas não marca a agenda política nem o discurso de cidadania. Por causa dela, estamos a ficar mais surdos antes de tempo. Fomos ouvir a cidade com três guias: um compositor e ecologista acústico, um engenheiro de som e um investigador de etnomusicologia.

Lisboa perdeu 300 mil habitantes nos últimos 50 anos, mas está muito mais barulhenta. Dos céus chegam 27 milhões de passageiros (2017), nos passeios os trolleys batem na calçada dia e noite (só na Baixa Pombalina há 4000 camas) e o centro histórico é um laboratório para “experiências Airbnb”. A que soa uma cidade assim?

“O ouvido é o único sentido que nunca se desliga”, avisa o compositor e ecologista acústico Carlos Alberto Augusto mal chega à Praça Luís de Camões. Se déssemos cores a um cenário sonoro, este seria um lugar com a paleta completa: com a estátua do poeta nas costas, chega da direita o berbequim das obras de ampliação do Bairro Alto Hotel; à esquerda, há buzinas e o chiar do eléctrico; entre os peões ouvem-se diferentes línguas; abaixo, descendo a Rua Garrett, ecoa a música dos performers que “vivem” no passeio em frente à estátua de Fernando Pessoa”. | Textos completos