Memória e identidade urbana | Calçadas portuguesas

Se a rua é de verdade uma espécie de leitura, então leiam-na (…). Deixem-se enganar ou seduzir um pouco pela luminosidade, pelo decorrer do dia e pelo ritmo das vossas passadas (Hessel, 1981 citado por Fortuna, 2020, p. 50)

 

Sob os nossos pés que deambulam pelas cidades num movimento de (des)encantamento estão as famosas pedras portuguesas. Passíveis de serem encontradas em várias cidades, seja em Lisboa, Aveiro ou no Rio de Janeiro, por exemplo, esta arte de fazer calçadas, característica portuguesa e símbolo de uma identidade, recebeu especial atenção no Público que conta com uma série de artigos que refletem sobre a Calçada portuguesa: um chão-poema, uma arte em extinção, Aveiro: uma viagem à ria e às salinas através do chão, entre outros.

Regista-se nos textos o prazer estético que esta arte urbana proporciona a alguns passeantes (vide a #calçadaportuguesa no Instagram), a história e memória que essas calçadas revelam quotidianamente e o ofício quase extinto do calceteiro que ao longo dos anos permitiu a todo um coletivo de trabalhadores deixarem as suas marcas/gritos de existência no terreno.

 

Para além da série atual no Público, há algumas fotografias disponíveis aqui.