Intervenção urbana em camadas

O contacto com a arte urbana através de murais tem vindo a ser cada vez mais frequente. Posicionados em locais visíveis, os painéis (Hall of Fame) são capazes de comunicar uma mensagem, transmitir uma informação. São coloridos e vivos. Chamam a atenção de quem passa.

Precisamente nessa ideia de produção de sentido, um mural em Londres foi transformado por moradores e, assim, ressignificado.

Em março, pouco antes do lockdown, a artista de rua Zabou, em uma representação visual a pedido de um bar do East End londrino, pintou um mural de um homem rindo e com sangue nas mãos.

Os moradores do local, que possuem ainda nos dias atuais, ao que parece, uma relação com a história de Jack, o Estripador, notaram a semelhança com o assassino e reivindicaram que a arte fosse repensada. Não tendo sofrido qualquer alteração, o painel ganhou novos contornos pelas mãos de quem não consegue mais aceitar violências simbólicas de género. Por cima da imagem foi passada uma tinta branca e escrito o nome Catherine Eddowes, uma das vítimas.

Em entrevista, a artista Zabou refere que “a arte de rua é efêmera e as peças podem durar apenas alguns dias, meses, até alguns anos. Está mudando constantemente: a parede abrirá espaço para outro mural diferente em um futuro próximo e eu adoro essa ideia”.

A nova proposta que está a ser estudada para o local é de fazer agora um mural com todas as vítimas. Arte e política. Arte, em duas camadas, e igualdade de género.