Fazer arte quando o lockdown significa prisão

De acordo com um modelo progressista urbano (Choay, 1997), a cidade é organizada entre espaços para cultura e lazer, moradia e trabalho. A prisão, por sua vez, seria o lugar de reclusão onde o indivíduo é condenado a cumprir pena privativa de liberdade quando acusado e condenado por algum tipo de crime.

Atualmente os Estados Unidos da América têm a maior população carcerária da Terra com cerca de 2,4 milhões de cativos, segundo Holland Cotter para o The New York Times.

À margem da cidade e sua liberdade cresce uma nova micro-sociedade de confinamento solitário com suas próprias regras e modos de viver.

O que acontece por trás dos limites dessa “cidade”? A exposição “Marking Time Art in the Age of Mass Incarceration” do MoMA revela uma das possibilidades da “estética carcerária”, “uma arte moldada por um espaço radicalmente restrito, um tempo institucional sem amarras e uma grande escassez material”.

Com meios de arte improvisados – e algumas vezes roubados -, tais como palitos, embalagens recicladas e lixo recolhido, alguns prisioneiros artistas conseguem subverter a ideia de violência e tempo punitivo.

Para os curadores, “a balança da justiça é sensível e inconstante. A única maneira de equilibrar corretamente é com um olhar firme e apaixonado e um toque criterioso, e é aí que a própria arte entra”.