Cidades na Pandemia, por Richard Sennett

Richard Sennett discorre sobre as cidades na pandemia da Covid-19. Segundo o sociólogo e historiador norte-americano que leciona na London School of Economics e na New York University, esta pandemia nos desafia a pensar em questões sobre as cidades que durarão mais tempo do que a crise. Entre as questões, Sennett analisa os poderes dos dirigentes, pensando em formas de combater as desigualdades entre uma classe média que pode ser considerada “segura” e uma classe trabalhadora exposta. As cidades verdes e o uso da tecnologia para afirmar o poder das comunidades também fazem parte das questões levantadas pelo sociólogo.

Ao levantar questionamentos expostos pelo filósofo italiano Giorgio Agamben e pelo sociólogo francês Alain Touraine acerca do estado de exceção e das regulações estatais da vida das pessoas durante a Segunda Guerra Mundial, Sennett ressalta como as estruturas de poder podem explorar crises para legitimar o controle expandido. O sociólogo ressalta que não devemos minimizar a pandemia da Covid-19, mas devemos nos manter em alerta para não entrar em pânico, pois ela pode ser uma “oportunidade” para que esta exploração estatal seja retomada.

Com regras e regulamentos que podem durar mais tempo do que a própria pandemia, os órgãos reguladores dos espaços públicos que ditam a distância social e a dispersão de multidões, podem manter estes regulamentos, assegurando que tais medidas sejam uma forma preventiva para novas crises. Segundo o sociólogo, “o distanciamento social, necessário durante a crise atual, ameaça se tornar uma norma, imposta pelo governo, mesmo depois que as pessoas, graças a uma vacina eficaz, não têm mais um motivo convincente para temer a proximidade dos outros”.

Urbanistas de diversas localidades mundiais precisam encontrar formas de flexibilizar este distanciamento social, pensando na dinâmica das cidades e garantindo a participação da vida nas ruas. Este é um desafio que, segundo Sennett, pode exigir uma revolução económica, principalmente em cidades que estão em desenvolvimento industrial. Pensar em cidades saudáveis e verdes, levando em consideração mudanças climáticas e comportamentais na vida dos trabalhadores, tornou-se essencial neste momento.