Associação, sindicato, liberdade total: que futuro para os artistas de rua?

O corpo de Francesco Cerutti ainda crescia e já ele fazia das ruas um palco. Em Itália, onde nasceu, começou a fazer espectáculos ligados ao circo aos 14 anos e a fascinar-se pela arte de rua pouco depois. A liberdade teve efeito magnético e Francesco foi viajando pela Europa, improvisando palcos, reconhecendo a beleza de actuar debaixo de céu. Assim conheceu Portugal, há pouco mais de uma década. E notou no país “uma lacuna” no que a artes de rua dizia respeito.

No Verão passado, juntou no Porto 25 artistas de rua, nacionais e internacionais, com 60 espectáculos na baixa da cidade. Clown, estátuas-vivas, magia, comédia, acrobacia, música. A experiência foi inspiradora e ajudou Francesco Cerutti a delinear aquilo que agora será a Porto Buskers, uma associação cultural que pretende contribuir para a organização do sector, com base no Porto mas os olhos postos no país. A experiência diz-lhe que planear e ter regras só traz boas novas. Mas a filosofia não é consensual.

Uma petição pública com cerca de 90 subscritores faz o contra-ataque e deixa preto no branco a rejeição de qualquer associação que “possa decidir quem, onde e como actua no espaço público”. Fazendo referência à pretensão de criação de uma estrutura em Lisboa, a petição — cujos criadores estiveram indisponíveis para falar com o PÚBLICO, não respondendo aos pedidos de entrevista enviados via email ao longo das últimas semanas — recusa “mediadores culturais” e reforça o desejo de ver os artistas de rua permanecerem “livres, independentes e autónomos”. Mas não são contra a existência de regras. Os subscritores defendem “licenças de trabalho acessíveis e a um preço simbólico, emitidas directamente pela câmara a todos os artistas de rua sem excepção”. | Texto completo