Abrandar, um novo verbo para fazer cidade

Uma pequena cidade espanhola é notícia por esse mundo fora porque pôs os seus cidadãos a gostarem de andar a pé – tirando os carros das ruas. O Porto foi notícia por estes dias porque conseguiu um ano sem mortos por atropelamento, com medidas que retiram protagonismo aos automobilistas, na via pública. Seja pela nossa saúde, segurança ou mero prazer de viver num espaço urbano, abrandar é um verbo bem presente nas novas políticas de mobilidade.

Abrandar. Trata-se de um verbo leve, que pode andar a pé, de bicicleta, de scooter ou até mesmo de carro, quando os condutores se habituam e deixam de protestar contra a maré de zonas 30 e as passadeiras sobreelevadas que vão invadindo muitas cidades, seja à boleia do combate às alterações climáticas, por via da redução de emissões poluentes, seja em busca de um ambiente urbano mais amigo dos peões e dos negócios locais. Não queremos chegar atrasados ao emprego, ou à escola dos filhos, mas a transição para uma mobilidade sustentável passa, em muitas medidas que estão a ser postas em prática, por uma redução da velocidade a que se circula. E por uma revolução nas nossas mentalidades, como se pôde perceber num workshop recente sobre mobilidade partilhada que juntou, no Porto, representantes de várias áreas metropolitanas da Europa. |Texto completo