A cultura chegou à beira da estrada em gigantes outdoors

Na década de 1990, pelas ruas de Londres, nascia o movimento Reclaim the Streets. De cunho ecológico e anárquico, os manifestantes dirigiam o debate sobre os efeitos da globalização e da excessiva presença do sistema rodoviário no espaço público. As ações procuravam, assim, reconquistar as ruas e torná-las, novamente, um lugar de habitar.

Nos últimos trinta anos, entretanto, quais foram os avanços nesse sentido? Cidade seria o espaço limitado, apenas, ao “urbano”? Numa “urbanização extensiva” esses caminhos-entre seriam apenas lugares de passagem e de vazio? E o espaço para arte e cultura?

Numa (re)apropriação desse pensamento, usando outdoors como um medium, a startup portuguesa Liter decidiu levar a cultura para aquilo que considera, de acordo com artigo no Público, “lugares improváveis”.

Organizaram, dessa maneira, o Festival Reclam’Arte que conta com outdoors espalhados por rodovias portuguesas no intuito de “levar arte e democratizar a cultura”.

No Manifesto do Festival está disponível o norte da ação:

“O papel do RECLAM’ARTE é impactar o(a) observador(a) e proporcionar-lhe momentos de reflexão, face aos tempos que vivemos, de incerteza e constante mudança. A arte deve ter o poder de colidir com a realidade. Esta capacidade leva à ampliação do “Nós” e permite problematizar as questões do presente, sem esquecer o passado e almejando o futuro. O outdoor publicitário, presente no dia a dia da sociedade, poderá ter a capacidade de levar a cultura ao espaço público, mesmo aos pouco familiarizados com esta. O RECLAM’ARTE transmitirá a mensagem e a voz do(a) artista a todos(as), sem nunca olhar a raças, credos, géneros ou classes”.

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